quinta-feira, 28 de abril de 2011

Análise Completa Nintendo 3DS

Nesta altura do campeonato já não será novidade para os mais atentos, que a 3DS é a consola que permite jogar e usufruir da tecnologia das 3 dimensões sem recorrer aos vulgares óculos escuros. Por outro lado, este momento assinala o ponto de viragem da DSi/XL, o que significa que estes sistemas vão perder a posição de avanço que detinham. A 3DS é mais potente, consubstancia um avanço muito visível, não apenas em termos de processamento gráfico, mas também na ligação à rede, uma vertente essencial na exploração dos conteúdos e partilha de dados.
Com a 3DS a Nintendo pretende continuar a liderança no sector das consolas portáteis, ainda que os jogos para os telemóveis inteligentes estejam, pela primeira vez, a abalar as fundações do sector e a congregar alguns pontos de discussão como preço dos jogos e qualidade dos mesmos, sem esquecer a exclusividade enquanto outro factor de ponderação. Mas aquilo que nos interessa neste artigo focar é um olhar atento e pormenorizado às funções da 3DS. Na verdade que diferenças a separam da DS, que mais valias apresenta e qual a reacção ao tão propalado efeito tridimensional. Importa sublinhar, porém algumas condições sobre o teste ao aparelho.
'Nintendo 3DS' Screenshot 1
O ecrã superior é a fonte da magia, mas há mais de relevante na 3DS.
Desde logo, nesta fase, os detalhes estão circunscritos a uma utilização da consola apenas com software interno, ou seja, resumida ao conjunto de aplicações que poderão desfrutar a partir do dia 25 de Março, quando a consola chegar às lojas da especialidade. Ainda não dispomos de jogos para efectuar uma análise mais funda, algo que permitiria uma compreensão mais rigorosa sobre as capacidades gráficas. De todo o modo tivemos a possibilidade de experimentar a consola durante imenso tempo, carregando diversas vezes a bateria, a fim de vos trazermos impressões definitivas e que muito embora não sejam finais, aquilatam já uma vasta porção sobre aquilo que o sistema vai proporcionar e, não menos importante, se justifica o "upgrade" da Nintendo DS para a 3DS.
Começando pelo aspecto exterior, nota-se que a 3DS sobressai imediatamente pelo aspecto espelhado do negro metalizado (a 3DS que a Nintendo nos cedeu para experimentar é a black cosmos). É notória a aproximação ao último modelo da DS – a DSi – desde logo pelas dimensões, pelo posicionamento dos botões L e R e pela forma como se abre (desdobra), tendo uma arquitectura exterior muito semelhante. As duas objectivas exteriores assinalam as primeiras diferenças. Ao meio da lateral frontal a entrada para os auscultadores. A stylus foi removida para a lateral posterior, uma posição que não é tão confortável para aceder com a consola aberta, embora seja um somenos pouco relevante.
Por sua vez a "stylus" é de tamanho ajustável, tem uma estrutura maioritariamente metálica e que lhe confere algum peso, sendo mais fácil de utilizar no ecrã táctil. Ainda com a consola fechada, o botão wireless na lateral direita é acompanhado por um pequeno quadro luminoso que revela se o mesmo está ligado ou não (é possível poupar a bateria estando o "wireless" desligado. Do mesmo modo a grelha frontal conta ainda com dois indicadores luminosos; um que acende cor laranja quando a bateria está a carregar e um outro que exibe uma luminosidade azul quando a consola está ligada ou em modo "standby", sendo curioso observar, neste caso, o constante aumento e diminuição da luminosidade de uma forma progressiva. Na lateral esquerda encontra-se o botão que regula o volume e a entrada de cartões SD (a consola será disponibilizada com um cartão SD de 2 GB).    
Em termos de peso e manipulação em mãos é praticamente imperceptível descobrir qual é mais pesada por comparação com a DSi. Contudo a 3DS é mais suave ao toque e ainda que exiba uma arquitectura exterior clássica não deixa de ser sóbria e até mesmo elegante. É possível que dentro de um a dois anos (dependendo do sucesso em termos de vendas do aparelho), a Nintendo proceda a uma reformulação do sistema na mira de o tornar ainda mais apelativo aos olhos de potenciais compradores. Independentemente disso o actual sistema representa já um bom trabalho em termos de "design" e preenchimento/optimização dos espaços assim como configuração da grelha.
Abrindo a 3DS, mais depressa se dá conta de mais novidades. A que mais se destaca nem é o botão ajustável do efeito 3D do lado direito. O botão analógico é mesmo a função que recolhe destaque imediato numa primeira observação. Com uma pequena cratera para garantir uma eficaz adesão ao dedo polegar, o deslize é muito eficaz tanto em pequenos toques como para grandes rotações e solicitações. O analógico posiciona-se assim num ponto primordial, o que significa que será a opção mais forte para movimentar as personagens ou simplesmente navegar. O tradicional d-pad foi deslocado um pouco mais para baixo, mas nem por isso ficou numa posição prejudicial em termos de acessibilidade. Os quatro botões A,B,X,Y continuam na mesma posição, tendo desta vez o botão power sido arrumado no fundo. Os botões Select e Start ficaram embutidos na zona inferior de uma grelha que demarca o ecrã táctil. A novidade é a colocação ao meio do botão Home que permite a saída imediata de uma aplicação que estejam a utilizar para o quadro de entrada.
Na 3DS o ecrã superior está preparado para entregar magia; um quadro que transmite em 3D. Este é um ecrã com um aspecto "wide", coberto por um plástico com efeito vidro, sendo bastante elegante à vista. Ao cimo, numa posição central, mais uma objectiva. Do lado direito está o botão que permite regular a profundidade do 3D e até mesmo desligá-lo caso pretendam.
'Nintendo 3DS' Screenshot 2
Recarregando a bateria.
Uma vez ligada a consola, ficam disponíveis as aplicações disponíveis de início, podendo depois juntar muitas outras. Enquanto percorrem as aplicações usando a stylus, o d-pad ou o botão deslizante, no ecrã superior podem começar a receber as primeiras informações em 3D, com maior ou menor intensidade em função da vossa preferência. Para cada aplicação existe uma composição sonora e uma animação relacionada com o objecto da aplicação. No ecrã superior podem ainda obter dados como o dia/mês, hora, carga da bateria, sinal de ligação à rede ou "street pass" e o número de passos que deram no dia, bem como as moedas obtidas.
Assim em termos de aplicações, podem começar a utilizar a câmara Nintendo 3DS, fotografando totalmente em 3D. As fotografias podem depois ser observadas em álbuns e até manipuladas e alteradas, usando para isso muitos efeitos disponíveis no editor de fotografia. Diga-se que todos os textos de assistência, instruções e regras na 3DS estão em português. É algo que aproxima mais a relação entre a consola e o utilizador neste acompanhamento à sua língua.   
Com uma aplicação aberta, a qualquer altura o utilizador poderá pressionar o botão "home", regressando ao menu principal, podendo deixar a aplicação em suspenso enquanto efectua outra tarfea.
Para além das fotografias a 3DS proporciona ainda um editor de som onde poderão gravar sons, músicas, ouvir temas em mp3 e outras gravações. É-vos dada ainda a possibilidade de alterar as gravações usando alguns efeitos ou então adaptar as músicas a diferentes tonalidades. Uma utilização recreativa que modifica os vossos temas. Através do editor Mii, poderão criar novas personagens como as conhecem na consola doméstica Wii. A diferença na 3DS é que poderão recorrer às objectivas para fabricarem o vosso Mii a partir de uma fotografia. Em boa medida esta personagem será o vosso avatar nos jogos que vão permitir funcionalidades para os Mii. Até um máximo de 100 Mii podem ser gravados por consola.
A Praça Mii é uma das aplicações pré-instaladas na consola que faz uso do Street Pass, ou seja, a função que permite trocar informações e dados com outras consolas, pelo que ao cruzarem-se com outros utilizadores da 3DS, mesmo que tenham a consola em "standby", o sistema detecta os dados e grava-os. Depois, através da Praça Mii, poderão visualizar informações como que jogos outras pessoas jogaram, quais os Miis que utilizaram e até participar em mini-jogos, comprando objectos a partir das moedas que tenham ganho pelos passos dados. Por cada 100 passos dados ganham uma moeda, até um máximo de 300 (depois terão de as gastar para voltar a acumular). O pedómetro da consola só funciona, e por isso detecta o vosso andamento, com a consola ligada ou em standby.
'Nintendo 3DS' Screenshot 3
O pad deslizante é de grande acessibilidade.
Se comprarem uma 3DS no dia 25 de Março e por alguma razão não incluírem nenhum jogo no cabaz, não julguem que ficarão desprovidos de entretenimento ou que ficarão sem qualquer hipótese de perceber como o efeito 3D pode modificar a experiência de jogo. Assim, juntamente com a 3DS irão receber um conjunto de cartões que funcionam para a aplicação dos jogos de realidade aumentada. É uma aplicação muito atractiva e divertida. A instalação é simples (basta colocar a máquina numa posição para que a câmara detecte o cartão com o ponto de interrogação) e em pouco tempo terão um cenário fantástico ou medonho sobre a vossa mesa. Os desafios são na maioria simples, mas já proporcionam momentos bem interessantes, pela acessibilidade e pela variedade dos jogos, com monstros para derrotar antes de passar ao jogo seguinte. No começo só um jogo está desbloqueado, mas depois de superados os desafios, outras provas ficarão abertas. No jogo serão ainda utilizados mais cartões com conhecidas personagens Nintendo como Kirby, Mario, Link ou Samus Aran, todas numa posição gloriosa em 3D. Poderão tirar fotografias das personagens, deslocá-las, numa manipulação interessante.
O Face Raiders é outra proposta jogável. Neste jogo teremos de tirar uma fotografia nossa ao mesmo tempo que as câmaras posteriores irão recolher uma imagem do espaço onde estejam com a 3DS para um desafio bastante divertido que consiste em acertar com bolas de ténis em caras que têm precisamente um aspecto igual ao vosso. Desfrutado com o efeito 3D no máximo detecta-se bem o espaço e distância, uma sensação de profundidade bastante destacada. Tal como nos jogos da realidade aumentada, aqui também terão alguns desafios para desbloquear.       
Considerando o efeito 3D, a função esteve sempre no máximo e só ocasionalmente desliguei de modo a perceber a diferença. Colocando o efeito 3D no máximo destaca-se uma boa sensação de profundidade. É algo que poderão confirmar a partir do momento que configuram a consola e observam logo como o logo Nintendo flutua num espaço tridimensional. Algumas condições terão de ser cumpridas para não perder o efeito. Entre elas, devem começar por manter uma distância de 25 a 30 cm para o ecrã da consola. Nada de particularmente relevante já que é essa distância com que se joga numa qualquer portátil.
Observar de lado ou afastar demasiado a consola implica que a imagem vos chegue desfocada e aí sim, capaz de causar algumas náuseas. Porém, respeitando as distâncias, não senti qualquer efeito de cansaço na visão. Quando utilizam a consola pela primeira vez é provável que a vossa visão perca algumas fracções de segundo até se adaptar ao efeito, mas depois de sucessivas utilizações é algo que já se utiliza com bastante naturalidade, especialmente de manhã, quando a vista não está cansada. Mesmo que tenham a vista um pouco cansada (no final do dia), ainda utilizei por mais de 45 minutos a consola com efeito 3D no máximo. Nessa altura poderão sentir algumas reacções, mas nesse caso poderão suavizar o efeito ou até desligá-lo.
'Nintendo 3DS' Screenshot 4
No final de cada nível há uma boss fight.
Parece-me, contudo, que a adaptação ao 3D poderá depender de cada um e por isso causar reacções distintas. De qualquer modo em períodos como 30, 40 ou 45 minutos (normalmente tempos de jogo médios numa portátil antes de um intervalo) não senti efeitos indesejáveis. Claro que fazer demasiados movimentos com a consola pode causar uma perda de observação do 3D, no entanto, para uma utilização normal, premindo os botões e abanando o sistema de forma razoável, não há qualquer implicação.
A 3DS é acompanhada por um carregador (adaptador AC, semelhante ao da NDS) que se pode ligar directamente à consola para reabastecer a bateria. Em alternativa podem utilizar a "dock station", uma pequena plataforma do tamanho da consola, sobre a qual assenta a 3DS de modo a proceder ao carregamento. Uma vez pousada na posição correcta (extremamente simples de colocar), o indicador luminoso laranja acende-se, significando que está a carregar. Podem deixar a consola em "standby" enquanto recarrega. Pelos testes que levamos a cabo, a partir do momento que ficam sem bateria (o aviso de esgotamento chegará com um luz vermelha a piscar de forma intermitente), precisam de aproximadamente três horas até a bateria ficar totalmente carregada. É efectivamente pouco tempo.
Já o tempo de utilização disponível para usar a consola até ao próximo carregamento dependerá de uma maior ou menor utilização que façam das características. No meu caso, a consola esteve sempre com efeito 3D no máximo, ligada via wireless, com luminosidade no máximo e o volume também no máximo (quando não utilizava os headphones).    
Diante destas condições a bateria esgotou-se em pouco mais de três horas e parece-me que quão mais intensiva for a utilização do 3D mais depressa se consome a bateria. Jogar por largos períodos Face Raiders ou jogos de realidade aumentada fez decrescer significativamente a disponibilidade da bateria. É certo que uma utilização intensiva ao longo do dia implique que à noite tenham mesmo de carregar a consola. Pousando-a na "dock station" também não levará muito tempo até reabastecer e se quiserem jogar enquanto carrega (se estiverem em casa), podem utilizar o adaptador AC de modo a executar ambas as tarefas.
Um apontamento igualmente importante na ligação da 3DS à rede. Uma das dificuldades que tive com a anterior NDS Lite foi a dificuldade de ligação à rede por força de alguns equipamentos sem fios que a consola simplesmente não é capaz de reconhecer. A este respeito a 3DS não tem qualquer comparação e mostra-se compatível a toda a escala. Experimentei com vários "routers" e para qualquer um consegui uma ligação à rede em poucos segundos. Isto é óptimo em função do que está projectado em termos de utilização em rede e para melhor explorar o spotpass, que significa que poderão receber actualizações e outras descargas se estiverem próximos e ligados a um ponto de acesso à rede. Veremos se a Nintendo em Portugal irá materializar o acordo com a TMN e outras operadoras. No evento de apresentação da 3DS na Holanda vimos o logótipo da TMN, mas sem nos terem sido revelados detalhes sobre o acordo.
'Nintendo 3DS' Screenshot 5
Novos vôos para propostas de software.
Concluindo, não nos restam dúvidas que a 3DS é um sistema espantoso. Desligado e pousado sobre uma mesa, não se percebe o grau de evolução. É perceptível a pintura brilhante, assim como uma arquitectura que a equipara à última evolução da DS. Mas depois de ligada, as equiparações com as consolas da família DS ficam-se apenas pelo aspecto. A 3DS marca um avanço muito grande e não estamos só a falar da capacidade de gerar três dimensões sem óculos que faz disparar o destaque. A 3DS está pronta para dar um salto grande na ligação à rede e entre os utilizadores (streetpass e spotpass) e tem uma capacidade de processamento muito superior aos outros sistemas. Será seguramente o maior salto que se regista na evolução das portáteis da Nintendo desde a chegada do GameBoy em 1990. A primeira fornada de jogos disponíveis para a 3DS dá sinais dessa evolução, com opções capazes de rivalizar com jogos da anterior geração de consolas domésticas. O efeito tridimensional é uma porta de entrada, mas haverá muito mais para explorar e a Nintendo já provou que consegue maximizar o catálogo de "software" para os seus sistemas.

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