quinta-feira, 28 de abril de 2011

Halo


Coube ao pequeno estúdio Bungie, até então conhecido por ter feito o jogo de estratégia Myth, a responsabilidade de criar o jogo mais importante do recém lançado Xbox. Halo é o chamado "killer app" do console, o jogo que, teoricamente, justificaria a compra do aparelho já no dia do lançamento, ainda caro e com poucas opções de qualidade. 
Não é uma tarefa para qualquer um. Nesta situação as datas de conclusão dos projetos são apertadas, não existe a possibilidade de atraso, seu produto deverá corresponder às expectativas do público e explorar o máximo do potencial gráfico do console. 


No caso de Halo, a coisa é ainda mais complicada. O jogo começou a ser produzido há mais de 3 anos e já vinha sendo comentado deste seu anúncio oficial em julho de 1999, na feira Macworld Expo. Em 2000, ele foi eleito um dos melhores jogos da E3, quando ainda era uma aventura com ação em terceira pessoa e estava previsto para ser lançado apenas para o PC e Macintosh. Em Janeiro 2001, a Microsoft anunciou que Halo seria então um jogo exclusivo do Xbox e a grande vedete do seu lançamento, dando um novo rumo e significado ao projeto da Bungie. 


Ação desenfreada 


Em Halo, você é Master Chief, um dos últimos humanos remanescentes do programa experimental militar Spartan II, que forma super soldados. Com a musculatura, ossos e nervos devidamente mutados, e a armadura especial capaz de suprir sua energia, Master Chief é o único que pode salvar a humanidade das garras de uma temível raça alienígena - os Covenant -, que pretende destruir o planeta. Este saturado tema de ¿humanos contra alienígenas que querem dominar a Terra¿ já traz uma sensação de repetição antes mesmo de tudo começar, mas o mistério sobre a construção espacial em forma de anel, chamada Halo, esconde algumas surpresas durante a jogatina. 

Misterioso sim, mas não vá pensando que Halo é um jogo inteligente, que exige a solução de enigmas e tem objetivos diferentes e desafiadores. Apesar de ter alguma semelhança com Half Life, eles não podem ser comparados, pois a ordem aqui é mesmo a matança indiscriminada. O máximo de estratégia que Halo consegue dar ao jogador se resume no fato do seu personagem poder carregar apenas duas armas por vez, o que fará você pensar qual delas levar consigo, analisando o tipo de missão em que está inserido. Mesmo assim, o arsenal disponível é pequeno (cerca de 8) e as armas não são muito diferenciadas em termos de utilização - salvo o rifle sniper e o lança-foguetes, claro. Em compensação, o visual delas é bem interessante, principalmente em relação às armas alienígenas. Outra crítica vai para a pouca variedade de inimigos, que em muitos casos, aparecem a tordo e a direito, te deixando meio ¿de saco cheio¿ ao mata-los. 

A jogabilidade de Halo, apesar de restrita e não cerebral, é muito boa. É muito fácil comandar Master Chief e esta tarefa se torna ainda mais prazerosa quando devemos pilotar os veículos e naves. O ¿stick¿ analógico esquerdo comanda o seu personagem, enquanto o direito move a arma (ou a câmera, no caso dos veículos). O botão de tiro está localizado no gatilho direito e o de granadas no gatilho esquerdo, enquanto os outros são utilizados para pular, trocar armas, acender a lanterna, etc. 

O que é talvez o maior defeito neste quesito não diz respeito ao jogo em si, mas ao controle do Xbox: não é possível alcançar os botões preto e branco com o polegar direito, por isso devemos tirar a mão direita da posição confortável para esticarmos o dedo. Apesar destes botões não serem muito utilizados no jogo, o movimento para alcança-los pode atrapalhar a jogatina em algum momento. Além disso, o controle do Xbox faz a sua mão doer numa jogatina prolongada, graças à sua desastrosa ergonomia. 


The good, the bad and the ugly 


No que tange aos gráficos, Halo é um verdadeiro paradoxo. É, sem dúvidas, o jogo de ação em primeira pessoa mais bonito já feito para consoles, com cenários extremamente vastos (utilizando bem os 64 MB de RAM do Xbox) e uma física muito bem elaborada, principalmente quando conduzimos os diversos tipos de transportes existentes para o seu uso. Os personagens, quando montados em um carro, reagem de maneira diferenciada ao balançar do veículo, quando o mesmo bate em um obstáculo ou passa por cima de pedras. O sistema de suspensão independente (até mesmo do tanque de guerra) também segue o estilo, variando de maneira a acompanhar as irregularidades do terreno. Voando nas naves, temos uma sensação de liberdade fora do comum, e a vastidão dos cenários se torna ainda maior. As texturas cumprem muito bem o seu papel, sendo que algumas delas, como a da grama, chegam a ser excelentes. Os efeitos de luz também estão muito bons, criam um belo colorido nos ambientes e tornam o visual mais arrojado. 

Por outro lado, Halo peca pela falta de atenção aos detalhes e à qualidade em geral. Os cenários abertos são compostos por árvores, pedras e construções pouco significativas ou detalhadas. Nos cenários fechados não encontramos um objeto sequer para compô-los, e o visual é básico demais. Tudo se resume em corredores, salas e galpões de geometria simples, similares uns aos outros e que muitas vezes se repetem. A sensação de déjà-vú está presente a cada momento em que entramos em uma construção ¿nova¿. Isso sem falar nos filminhos que a toda hora entram para explicar a história, utilizando o ¿engine¿ do jogo. Neles, os personagens são extremamente mal modelados, com dublagens constrangedoras e ainda por cima, possuem uma animação pífia, que chega a arrancar risos em algumas horas. Outro contra de Halo é a taxa de quadros por segundo, fixada em 30 (todos os jogos modernos rodam a 60), mas que, mesmo assim, cai para 20-25 FPS em diversos momentos do jogo.

A falta de interação com o cenário também é algo imperdoável para um jogo deste calibre. Fora os inimigos, seus transportes e uma ou outra vidraça, nada no cenário é destrutível. O personagem principal não nada, a água não respinga quando atiramos ou quando passamos correndo por cima dela e podemos, inclusive, entrar com um jipe dentro do mar até que ele fique submerso (e ele continua andando normalmente, sem nenhuma reação da tripulação, o que é no mínimo assustador). É realmente uma pena termos que ver isso após exemplos de interatividade muito bons com o cenário como no velho Half Life, no recente Return to Castle Wolfenstein ou no campeão (deste quesito) Red Faction, onde podemos destruir quase tudo que existe. 

Na parte sonora, Halo também se destaca positivamente, apresentando sons de boa qualidade e músicas bem apropriadas e climáticas. Os soldados humanos e os alienígenas falam e resmungam o tempo inteiro, proporcionando uma sensação de realismo. Entretanto, o som das armas ficou um pouco abafado e fez com que se perdesse a sensação de impacto. 

O jogo multiplayer, com a tela dividida, é bom graças à natureza mata-mata do jogo. Não é algo que chegue a uma fração do que se tem online num PC, ou no Quake 3 do Dreamcast, mas pode entreter.
O Veredicto: Halo não é o que se espera de um jogo que gastou quase 4 anos para ser feito e no qual foi investido tanto tempo, dinheiro e credibilidade. Quem já jogou alguns dos inúmeros clássicos do gênero, como Goldeneye, Half Life, Quake 3, Unreal Tournament, NOLF, Deus Ex, Return to Castle Wolfenstein, Medal of Honor e etc, não terá grandes motivos, além do bem sacado uso de veículos e dos belos cenários externos, para se empolgar com um jogo às vezes muito bonitinho, mas quase sempre ordinário.

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