História de cinema
A figura principal aqui é Niko Bellic, ex-soldado de conflitos do leste europeu que vai para a América na esperança de conseguir uma vida melhor na companhia de seu primo Roman. Ao desembargar em Liberty City, porém, descobre que seu parente está envolvido até o pescoço com o submundo do crime local e acaba forçado a se envolver em trabalhos sujos envolvendo roubos de carro, extorsão e até assassinatos. Assistimos então o declínio de um homem marcado pelo passado em uma jornada sem volta, em uma série de missões que testam a integridade moral do protagonista, à medida em que é colocado em situações complicadas, com direito a reviravoltas e acontecimentos inusitados.
Niko é retratado de maneira impecável, que faz com que você torça por ele por mais moralmente repulsivo que acabe se tornando, uma vez que o jogo se encarrega de embasar e construir seu histórico, suas motivações e delinear sua personalidade com perfeição. E assim também acontece com boa parte do elenco de apoio, como Roman, o amigo Little Jacob e o interesse amoroso Michelle, entre vários outros. Todos são retratados de forma extremamente humana, criando um vínculo entre você e os personagens que é raro de ser visto em videogames, mesmo com tanta tecnologia disponível hoje. É um aspecto tão sabiamente valorizado pelo jogo que existem vários minigames que servem apenas para fortalecer este elo - basta você ligar para alguém para marcar uma partida de boliche, por exemplo.
Cidade viva
O outro fator fundamental para a incrível sensação de imersão é a ambientação. Liberty City, para todos os efeitos, é uma cidade real. Pode parecer exagero, mas nunca uma cidade foi retratada com tanto realismo, criada com tantos detalhes quanto o cenário deste jogo.
Este cuidado na ambientação e na narrativa acaba por incentivar o jogador a seguir com a campanha principal, algo que nem sempre era comum de acontecer nos jogos anteriores - muitas vezes os jogadores se perdiam nas possibilidades de criar o caos e esqueciam de prosseguir com a história. Mas ainda que "GTAIV" tente te direcionar para a trama, não há limitações e tudo funciona como um legítimo exemplar da série, desde a primeira cena.
Praticamente todas as mudanças foram para melhor, incluindo a decisão de abandonar os elementos de RPG de "San Andreas", com a possibilidade de treinar na academia, por exemplo. Niko é um herói completo e não precisa de maiores incentivos, portanto a ação é mais fácil e direta, realçada pelo novo sistema de combate. Agora a visão lembra bastante "Gears of War", com a câmera posicionada levemente sobre o ombro do protagonista, do qual também pega emprestado um sistema de cobertura para se esconder de tiros inimigos. O sistema de mira traz elementos de "Crackdown", com a opção de mirar em pontos específicos nos corpos dos inimigos e objetos com leves toques, além do modo de mira livre. Ainda que nem sempre dê certo se esconder dos projéteis dos oponentes, no geral, os combates ficaram muito mais eficientes e agradáveis, longe da bagunça dos jogos anteriores, o que já é uma grande evolução.
A navegação pela cidade também melhorou bastante com o sistema de GPS, que traça em tempo real no seu mapa o menor caminho legal até o ponto desejado, ou seja, você ainda pode tomar algum atalho pela contramão se quiser, e ele irá se encarregar de fazer os ajustes na hora. Com isto, as missões que envolvem transporte ou perseguições ganham nova vida, levando em consideração também que a inteligência artificial da polícia foi aprimorada e a dirigibilidade dos carros é bastante diversificada mudando de acordo com as condições da pista , deixando a fuga bastante complicada - mesmo com as novas opções de ataque em movimento atrás do volante.
Nova geração
Há ainda um aspecto muito forte nesta geração que foi muito bem explorado pela Rockstar: o componente online. No modo multiplayer, você é livre para vagar pela cidade como no modo principal para um jogador, como se ela fosse um ponto de encontro para você e seus amigos combinarem as partidas. Há um modo livre, em que você define regras, armas e todo o tipo de opção imaginável e uma série de modalidades muito interessantes e divertidas, individuais ou em grupo, que vão desde perseguições ao estilo "polícia x ladrão" até os tradicionais mata-mata em deathmatch. Aqui as coisas se invertem e a performance na Xbox Live parece ser superior, com melhor tempo de resposta dos servidores, uma vez que os Sony parecem sofrer com desconexões e maiores problemas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário