Proteja-se ou morra
A abordagem cinematográfica empolga, no entanto grande diferencial de "Gears of War" está no magistral sistema de combate, que equilibra ação de alta combustão com a tática dinâmica. Os soldados são "pesadões", não dão saltos gigantescos e devem evitar a exposição a qualquer custo. A recomendação fundamental é usar paredes, muros e objetos para se proteger dos tiros dos oponentes - aperte o botão "A" próximo a um objeto, que pode ser desde uma parede a uma minhoca gigante, e proteja-se. O mesmo botão serve para rolar no chão, acelerar o passo ("roadie run"), ou para passar por cima de obstáculos. Enfim, são as mesmas mecânicas do primeiro jogo, que voltam intactas nesta seqüência.
O arsenal renovado adiciona variedade ao combate. Para citar duas das novidades, o lança-chamas não tem longo alcance, mas é excelente para acabar com grupos de inimigos; já o mulcher é uma metralhadora de alto calibre que atravessa vários oponentes de uma só vez. Agora, há também escudos antibomba, que oferece proteção contra explosões e tiros, mas reduz a capacidade de manobra, além de duelos de moto-serras. Todas as novidades são bem balanceadas e prometem inflar a diversão no modo multijogador.
Escombros e heróis
A ação mais uma vez gira em torno do pelotão de Marcus Fenix, mas em "Gears of War 2" tudo é mais grandioso. Marcus enfrentará novamente a ameaça Locust em cidades destruídas, mas em cenários mais abertos e em algumas vezes enfrentando centenas deles ao mesmo tempo. Cada um deles "pensa" individualmente e mesmo à distância é possível ver um Locust tentando salvar outro alvejado em meio a dezenas de outros. A sensação de guerra é maior na continuação.
Prepare-se para enfrentar monstros gigantes em "Gears of War 2". Tão grandes que será possível entrar dentro deles, literalmente. E os menores podem ser usados como escudo humano, ou melhor, escudo alienígena. Neste recurso, se sua proteção de carne viva tomar muito tiro, ela irá se despedaçar... ou o jogador pode simplesmente quebrar o pescoço e abandonar o corpo. A continuação banaliza ainda mais a violência e crueldade, que já era marca de "Gears of War". Além dos banhos de sangue e mutilações, cada um dos botões do controle oferece uma forma diferente de dar o golpe de misericórdia no oponente.
Efeitos sonoros e a trilha orquestrada mantêm o ar de Hollywood na continuação, que na verdade é toda a premissa de "Gears of War", como explica o criador Cliff Bleszinski: "fazer do game um filme no qual o jogador é a grande estrela". Bom, a dublagem está mais para filme B e dá um ar de canastrão aos soldados. Talvez até intencional, já que não dá para imaginar Marcus, ou qualquer outro herói do jogo, como um homem que sabe expressar seus sentimentos.
A música e sonoplastia injetam adrenalina nos momentos de ação para culminar em alívio: não dá para evitar um "ufa" após o sinal sonoro de de que a área está limpa. E é essa montanha-russa emocional que faz de "Gears of War" uma experiência única.
Combate amigo
As poucas horas do modo campanha - perto de dez nesta continuação - deixam um gostinho de quero mais. Mas as modalidades multijogador oferecem atrativos suficientes para manter "Gears of War 2" vivo, quem sabe, até a chegada do terceiro.
Aliás, mesmo no modo campanha, recomenda-se fazer ao lado de um amigo. "Gears of War" é uma das melhores experiências cooperativas da história dos games e retorna com novidades. Agora, o jogador pode entrar ou sair de uma partida de um amigo sem interromper a ação. Mais interessante é a opção de cada um escolher o seu nível de dificuldade, assim novatos não ficam intimidados em jogar ao lado de soldados veteranos em "Gears".
No multiplayer competitivo as adições são maiores a começar pela opção "What's Up?" no menu, que mostra o que seus colegas estão fazendo na rede Xbox Live. "Gears of War 2" oferece um novo sistema de encontros que facilita o encontro de amigos e formação de times, que agora suportam até cinco integrantes de cada lado. A ferramenta também traz a opção de encontrar jogadores de habilidade próxima.
Crescem também em número os mapas e modalidades: "Warzone", "Execution", "Assassination" e "Annex" estão de volta, ao lado de "King of the Hill", que apareceu na versão para PC de "Gears of War". Presentes em outros jogos, estréiam na franquia: "Submission", "Guardian" e "Wingman".
"Submission" é uma variação do popular "capture a bandeira". A diferença é que o jogador deve carregar um civil para uma área do mapa usando a técnica de escudo humano. Se a cena parece grotesca visualize ainda que o refém não fica inerte - carrega uma arma e revida. A idéia da modalidade "Guardian" é proteger o líder do time - enquanto este permanecer vivo, todos que forem abatidos no time podem ressuscitar, mas se ele morrer o privilégio acaba. Por último, em "Wingman", o jogador conta com a ajuda de um único aliado e deve trabalhar em conjunto para permanecer vivo.
Além destas novidades no competitivo, há também um passatempo cooperativo inédito batizado de "Horde Mode", cuja meta é sobreviver a sucessivas ondas de ataques de Locust, cada uma mais difícil que outra e que exige tática e trabalho em equipe. Há uma conquista para quem sobreviver a dez ataques e outra para todos que vencerem a 50, a última delas.
Por falar em conquistas, "Gears of Wars 2" "pipoca" na tela como está sua progressão nas tarefas mais complexas como, por exemplo, matar ao menos um inimigo com cada arma do jogo. Ao menos esta será mais rápida do que matar 100.000 inimigos ou participar de 1.999 partidas multiplayer.
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